SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

quarta-feira, agosto 09, 2017

Memórias de uma Senhorinha

Memórias de uma Senhorinha
E o tempo , este senhor Implacável e do qual não podemos fugir, anunciava o final das férias e o temido momento da despedida. Malas feitas, corações apertados e um adeus que não seria por muito tempo, porém machucava como se o fosse.
Volta à rotina e aos afazeres diários...a busca por novidades nas casas das artesãs e os preparativos para uma nova incursão ao mundo dos negócios. Os olhos brilhavam ao descobrir colchas mais elaboradas e almofadas mais macias e coloridas. Brevemente estaria pronta para uma nova viagem ao Rio de Janeiro, levando nas malas a beleza e o sonho que alegrariam várias casas.
Enquanto tal não acontecia, um problema surgiu para lhe tirar o sono e o bom humor habituais. A amiga Drinha trabalhava na Coletoria Estadual  e para a cidade foi designada uma juíza cujo marido também era Coletor em outra cidade.Na época( Não sei se atualmente existe), não havia uma legislação que assegurasse ao marido o acompanhamento da esposa para o município para onde ela fosse nomeada. O casal , então, apavorado com a situação, passou a visitar as nossas amigas todos os dias, pedindo que se mudassem para outra cidade...a Drinha , no caso, deveria pedir a sua transferência para outro município afim de favorecer o jovem esposo.
Nossa senhorinha amava Resende Costa como se sua terra fosse... mais uma mudança em sua vida? Noites e noites mal dormidas e o casal a insistir de uma forma quase que desrespeitosa...feria os seus sentimentos e ela se mortificava a cada visita.
Mas, já dizem os antigos, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”... e sua resistência foi se enfraquecendo . Em um sofrido e frio dia ela concordou. Foram conhecer a cidade para a qual pediriam , muito à contragosto, a sua remoção, transferência, mudança...
Em uma tarde triste e desoladora, pegaram a estrada sem nenhuma alegria e rumaram para o seu futuro destino: Dores de Campos , cujo nome trazia para elas um significado nada agradável.
                                
Dores de Campos é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Fica cerca de 40 km de São João Del Rei e 35 km de Barbacena via BR-265.

Vista parcial da cidade em 2008.
Na época que ainda era um pequeno povoado chamado Povoado do Patusca, os tropeiros amarravam os cavalos em um tronco para almoçar e descansar os seus animais, onde futuramente nasceu neste mesmo local a denominada "Figueira Encantada". Este nome foi dado por historiadores uma vez que este mourão onde amarravam-se os animais não tinha vida alguma e posterior a isso nasce deste mourão uma Bela Figueira.
Assim como suas cidades vizinhas, Dores de Campos faz parte da rota Estrada Real e Trilha dos Inconfidentes.


Fonte: WIKIPEDIA   


Não lhes direi que a cidade a encantou à primeira vista 

pois estaria mentindo. Estava saindo de um sonho e 

entrando na realidade. E por mais que se tenha boa 

vontade, é bem difícil esta barganha...onde o por do

sol com o qual era presenteada todos os dias? Onde os 

artesãos com suas belas colchas e tapetes? Onde a 

magia da Laje Encantada?
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E para completar , perguntando aos moradores se encontraria casa para alugar, a resposta não poderia ser mais decepcionante... simplesmente disseram que não havia casa para alugar na cidade... os pais construíam casas para os filhos e ninguém alugaria a própria casa para um estranho. 

Os dois amigos , André e Cláudio tentavam melhorar o seu desapontamento, porém nada a tirava daquele estado de desilusão no qual mergulhara. Resolveram almoçar na Pensão do Sr Bembém (recomendada por um funcionário da Coletoria) e retornar à Resende Costa dispostas a convencer o "amável casal" da impossibilidade, da inviabilidade daquela mudança. 
Após o almoço, resolveram caminhar um pouco antes de enfrentar as duas estradas " de chão"... o asfalto ainda não havia chegado aos dois municípios, Resende Costa e Dores de Campos.
Em frente à pensão , uma casa chamou a atenção de nossa senhorinha. Mesmo mergulhada em sua profunda decepção, o seu instinto de observação não a abandonara. Sentado à porta de um açougue , um rapaz de fisionomia  simpática, observava os quatro. Obedecendo a um impulso ela lhe perguntou se aquela casa estava vazia. Qual não foi a sua surpresa quando a resposta foi afirmativa!!! O proprietário havia construído aquela casa para o filho e este havia falecido, sem nunca a ter habitado . Morava em Barbacena e para lá se dirigiram...

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Vamos fazer uma pausa para um "fechar de cortinas" temporário. Vou , mas voltarei. Aguardem!!!

Leninha Brandão





terça-feira, agosto 01, 2017

Memórias de uma Senhorinha


E nossa senhorinha se alegrava com a presença da família e os conduzia a todos os locais que admirava e sabia que apreciariam muito.
 Foi uma verdadeira peregrinação : Prados, São João Del Rei, Tiradentes e toda a vizinhança de Resende Costa : pontos turísticos, matas, estradinhas bucólicas que sempre a fascinaram e à irmã.


A mãe se encantou pelas igrejas seculares e pelo Barroco presente em todas elas. Era muito piedosa e tinha o hábito de assistir à missa todos os dias. Quando se mudavam ( E foram tantas vezes!!!) , sua principal exigência era morar perto de uma Igreja. E sempre havia conseguido...em Ponte Nova moraram ao lado de uma e para sua grande tristeza  não havia celebração diária de Missa na mesma. Para se chegar em casa subiam cento e tantos degraus , o que para nossa senhorinha não representava sacrifício algum ( tinha nove anos de idade e uma energia invejável) , mas para a avó, já na casa dos sessenta, significava ficar em casa ou sair somente de carro.
Mas vamos deixar as tergiversações e voltar aos nossos passeios...

Em Prados foi o irmão que se encantou com as botinas de couro, daquelas com um elástico e que eram usadas pelos cavaleiros ou vaqueiros...


E ela, que gostava de se vestir de uma forma nada convencional, quis também um par daquelas botinas. E saíram os dois como pares de jarras, felizes da vida. Com suas surradas calças jeans exibiam o ar de felicidade que as coisa simples proporcionam às pessoas de alma pura. 
Saíram da fábrica e a Mãe já apontava para a Igreja de Prados...


"A Igreja de Nossa Senhora do Rosário se destaca na paisagem de Prados com um singelo frontispício. 

Seu interior é simples. O retábulo-mor não possui talha elaborada e é composto apenas de madeiras com recortes sinuosos. A decoração é finalizada com delicadas pinturas rococó. Em seus nichos, estão dois santos negros: Santa Ifigênia e Santo Antônio de Cartegerona. No forro da capela-mor, existe uma interessante pintura com a temática do Apocalipse.   

Junto ao arco-cruzeiro, está o único altar lateral, que é dedicado a Nossa Senhora das Mercês. Diferente do altar-mor, este possui uma talha elaborada mas não recebeu douramento e policromia."

E ao entrarem na Igreja , o ritual que cumpriam todas as vezes que entravam pela primeira vez em um templo religioso :
Três Pai   Nossos
Três Ave Marias
Três Glórias ao Pai
Em seguida , um pedido. E muita Fé no coração!

A tardinha já se aproximava e os sinos tocavam o Angelus.A beleza daquele momento ficaria para sempre na mente de todos eles. Caminhos diversos os levariam, emoções novas preencheriam os seus dias, mas aquela permaneceria tatuada em seus corações.Indelevelmente!!!

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Mais passeios faremos com eles. 

Aguardem! 

Eu vou, mas voltarei...


Leninha Brandão




terça-feira, julho 18, 2017

Memórias  de uma senhorinha

E nossa senhorinha, enfim recebeu o telefonema que avisava da chegada de sua família...  o  coração , repleto de alegria, parecia não lhe caber no peito. Contava as horas que faltavam para abrir a porta e abraçar os entes tão queridos.Ansiava por escutar a buzina tocando alegremente.O filho mais novo ela já havia trazido consigo e fora também uma viagem surpreendente deste o início.
Dudu havia pedido que levassem a sua bicicleta e dentro do carro (uma Variant espaçosa , porém pequena para comportar a bagagem e ainda uma bicicleta. O irmão e Drinha (padrinho e madrinha do filho) tentaram prendê-la na parte detrás do carro, mas em vão foram todos os esforços...não havia como segurá-la. Aos prantos Dudu entrou no carro e em pranto passou a viagem... parou ao chegarem em Barbacena para lancharem e retomou o choro tão logo o carro se pôs em movimento. De nada adiantavam os pedidos e nem mesmo a doce voz da mãe o faziam interromper o choro. Foi um alívio quando chegaram em casa e ela pediu a um menino, irmão de um amigo, que a ele explicasse que poderiam alugar bicicletas e passear à vontade nas poucas ruas planas da cidade repleta de ladeiras. E a alegria voltou a brilhar nos olhos daquela criança tão doce e que, dificilmente, se aborrecia com alguma coisa.

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E enfim chegou o dia tão esperado e aconteceu o que nossa senhorinha havia previsto... todos reclamando do frio e das janelas basculantes que deixavam passar o ar gelado em sua junções. O irmão então teve a brilhante ideia de colocar jornais embolados em todas as frestas e todos os dias era aquela obrigação, todos ajudando e a história do frio passou a ser uma farra para todos eles. 
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Vamos deixar a nossa senhorinha curtindo a sua família e a sua alegria.Eu vou, mas eu voltarei, viu?


Leninha Brandão


quarta-feira, julho 12, 2017

Memórias de uma senhorinha


Inverno se aproximando e as férias tão esperadas também. Nuvens corriam como flocos de algodão (doce?) pertinho de sua janela. Os pensamentos também corriam e a proximidade da chegada da mãe, dos irmãos e dos filhos se afigurava um tanto tenebrosa pela reação que temia. Acostumados às temperaturas amenas do inverno em Muriaé e no Rio de Janeiro, como reagiriam àquele frio e àquelas “simpáticas” Nuvenzinhas. Ela achava lindo acordar pela manhã e avistar o céu quase ao alcance de sua mão...era uma Pollyana, lembram-se? E o “jogo do contente” sua distração preferida.


Providências foram tomadas para amenizar um pouco o frio... mantas , cobertores e edredons enfeitavam lindamente as camas e o improvisado sofá da sala. ( Dois estrados cujos colchões estavam revestidos de um macio veludo de algodão e muitas almofadas). Cores fortes e quentes coloriam as camas e traziam um pouco de sol para dentro de casa, iluminando os ambientes.

 .Nas paredes , colchas à guisa de panôs davam um toque alegre e um tanto hippie à decoração.

Mister se fazia providenciar casacos (mantôs ou manteaux como se dizia antigamente) para ela e para a Drinha...recorreram à secretária que lhes indicou o seu alfaiate e uma loja em São João Del Rei onde encontrariam lãs da melhor qualidade. E para lá se dirigiram alegremente em busca de uma lã macia e aconchegante . Em lá chegando se deslumbraram com a variedade e com a qualidade dos tecidos.Uma boa escolha foi feita...lãs de padronagens semelhantes porém cores diferentes...verde para a Drinha e marrom para nossa senhorinha.No dia seguinte levariam para o Sr Alfaiate, muito bem recomendado por todos , inclusive pelos vendedores da loja.Uma surpresa as aguardava: o ar solene do profissional. No momento em que começou a "tirar as medidas", um susto...ele caiu de joelhos aos seus pés para medir o comprimento do casaco de nossa senhorinha que o queria um pouco abaixo dos joelhos. Mas concordaram que deveria mesmo ser um "expert" no assunto uma vez que tão inusitado procedimento nunca haviam presenciado.

No dia aprazado foram experimentar os casacos e que decepção!!! As mangas haviam ficado curtas e as cavas muito apertadas, o que as colocava em uma verdadeira "camisa de força", limitando-lhes os movimentos e sem o menor espaço para ampliar a costura. E o Sr alfaiate ali , vangloriando-se de sua obra prima. Nada lhes restava a não ser pagar o valor combinado e levar para casa o sonho destruído. Um dia, muitos anos depois, haveriam de rir desta situação, porém no dia não havia nada cômico no acontecido.

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Vamos deixar nossas amiguinhas a chorar as suas pitangas e dar um tempo para assimilarem a sua mágoa.

Estou indo.Mas voltarei, com certeza!!!


Leninha Brandão

sábado, julho 08, 2017

Memórias de uma senhorinha

Encontrando novos sonhos


E nossa amiguinha seguia seus caminhos e fazia novas amizades. Era de seu feitio conviver com várias pessoas e ampliar seus horizontes...o que era fácil de ser realizado neste local paradisíaco.
Hoje olho pela janela de minha alma e a vejo, trilhando as ladeiras de sua mente incansável e florindo a sua alma com novos aromas e sensações . Por detrás de sua aparência calma e tranquila um vulcão de sentimentos e curiosidade ...e queria saber de tudo o que se referia à nova cidade e aos seus arredores.
Na pensão de Dona Elzi conheceu um senhor, proprietário de uma fazenda e um verdadeiro ermitão...ia à cidade somente para adquirir o estritamente necessário à subsistência em seu refúgio. Dizia-se que após ter perdido o pai, a mãe e a esposa, havia se recolhido à fazenda e ao seu mundo particular... tinha seus cães e seus bois, sua plantação de flores e cereais, seus discos e era feliz com a sua existência, nunca perturbada por estranhos. Mas , há sempre um mas em todas as histórias, não é mesmo?, e ele fez amizade com nossas amigas, nunca imaginando que ela , a nossa senhorinha, nunca se contentara em saber apenas um pouquinho da vida dos amigos.
E aqui faço uma pausa para lhes pedir que não critiquem  este lado curioso e até mesmo ”invasivo” de sua personalidade...era , lembram-se?, uma faceta de seu temperamento que nunca ninguém havia conseguido represar. Colocar diques em águas caudalosas seria até mais fácil...
Feita a devida ressalva, voltemos aos fatos. O senhor ermitão as convidou para uma visita à fazenda e ela, prontamente aceitou sem mesmo saber se a amiga Drinha gostaria desta aventura. Por que uma aventura?  A fazenda era bem distante da cidade, o acesso  difícil e perigoso por uma estrada cortada por riachos , cujo percurso seria mais adequado para um jeep ou uma camionete com tração nas quatro rodas. Na época possuíam um fusca , valente na realidade, mas nada apropriado para esta empreitada.
E chegou o esperado dia, um sábado ensolarado e radiante. E radiante e ensolarada estava nossa senhorinha ao preparar a cesta de piquenique e as guloseimas para a viagem. Bem cedinho pegaram a estrada e com o som do carro ligado, iniciaram o percurso. A estradinha era estreita e pedras se misturavam ao saibro que cantava sob o impacto dos pneus...passaram bem pelo primeiro riachinho que brilhava ao sol. Paravam de vez em quando para fotografar a beleza da paisagem e assimilar o encanto e o sabor daquele dia tão especial. Após duas horas de viagem, pararam em uma acolhedora sombra de uma árvore e degustaram algumas frutas...ao longe avistavam algumas fazendas e sítios e chaminés soltavam a fumaça característica do preparo do almoço nestas casas.
Alma acolhida pelo caminhar nas horas e na beleza, passearam a alegria e voltaram ao carro e à espera que o destino estivesse próximo. Latidos de cachorros cada vez mais próximos indicavam a aproximação  ...e após uma curva surgiu a fazenda tal qual a imaginavam. Um último regato a transpor e estariam lá. Passaram por ele  desceram do carro e chegaram a uma porteira que mostrava do lado de dentro três enormes e furiosos cães. Ameaçadores e mostrando seus dentes , latiam loucamente o que as fez dar meia volta e voltar para o carro, com os cachorros em seu encalço.  O dono da casa apareceu então e dominou os cães ,levando-os para um canil e fechando a porta de ferro do mesmo. Após isto veio ao encontro das amedrontadas visitas que estavam encolhidas dentro do veículo, já pensando em fazer o percurso de volta. Após o pedido de desculpas conduziu- as para a casa e as acolheu com uma belíssima mesa de almoço e uma seleção magnífica de LPs. ( Long Play) .
Uma tarde agradável finalizou o passeio e à noitinha voltaram para a cidade, cansadas e felizes, prometendo ao anfitrião que voltariam mais vezes, contanto que prendesse antes de sua chegada os temidos cães.

E mais uma aventura de nossa senhorinha chega ao final.

Eu vou, mas retornarei!!! Com certeza




Leninha Brandão





terça-feira, junho 27, 2017

Memórias de uma senhorinha
               Conhecendo os arredores

Quando se muda para uma região o melhor que se tem a fazer , além de se tentar conhecer os hábitos e costumes dos moradores, é uma visita de reconhecimento aos lugares vizinhos. Assim nossa senhorinha aprendera com seu pai, nas várias mudanças que fizeram durante toda a vida. Manhumirim, Laginha, Pouso Alegre, Ponte Nova e Muriaé...foram as cidades onde moraram enquanto ela , menina ainda , se adaptava a cada uma e a cada mudança de sotaque.
Desta vez não teria a mão protetora do pai a conduzi-la pelas ruas a mostrar-lhe as diferenças da cidade anterior...porém, e seu coração tinha certeza deste fato, as suas palavras e os seus conselhos haviam calado fundo em sua mente e era como se ao seu lado ele estivesse, percorrendo novas ruas, novas estradas, novas trilhas...
Iniciou a visita pela cidade de Prados, bela e acolhedora, trazendo ares bucólicos para o seu passeio.
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Página oficial  Fonte WIKIPEDIA
Prados é um município brasileiro do estado de Minas Gerais
A origem de Prados remonta à descoberta de ouro no vale do Rio das Mortes, mesma causa de ocupação de São João del-Rei e Tiradentes. O município sempre integrou a rota dos turistas que transitam pelo circuito turístico Trilha dos Inconfidentes. O centro histórico dessa cidade setecentista mantém igrejas e casarões bem conservados. Ali viveu a mulher considerada como a mais atuante no movimento da Inconfidência Mineira - a rica pradense Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, mulher do inconfidente Francisco Antônio de Oliveira Lopes. O casarão que lhe serviu de residência após o degredo do marido é hoje um atelier de artesanato que fica em frente à Igreja Matriz.

Segundo a tradição, o povoamento local se deu através de uma bandeira chefiada pela família Prado. Eles deram origem a um núcleo de mineração que, mais tarde, tornou-se o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Prados, um dos mais importantes do Termo da Vila de São José. Têm-se notícias de casamentos realizados na Capela de Prados já em 1716. O fato de o lugar ter sido passagem de boiadas e tropas muito contribuiu para o desenvolvimento da localidade. Em 15 de abril de 1890, o arraial foi elevado à vila e, dois anos depois, a vila foi elevada à cidade.
Hoje, além de sua memória histórica, Prados conserva também sua tradição musical que tem origem nas cerimônias religiosas dos séculos XVIII e XIX. No mês de julho, é realizado ali um festival de música erudita que faz parte do calendário dos eventos mais importantes do Estado
O destaque é para a Lira Ceciliana, fundada em 1858, um verdadeiro orgulho para os pradenses que, constantemente, recebem estudantes de música de todo o Brasil.
Outro forte atrativo é o artesanato de primeiríssima qualidade que a cidade produz a preços convidativos. Ao longo da avenida que dá acesso ao centro histórico, é possível observar muitos dos coloridos e criativos atelieres que produzem bonitas peças feitas em madeira e cerâmica. O couro também se transforma em artigos para montaria, botas, sandálias, cintos e bolsas.

O Distrito Vitoriano Veloso - mais conhecido como Bichinho - é um lugar muito especial. Móveis, telas, bordados, fuxicos, crochês, tapetes, esculturas e adornos em geral estão por toda parte. O histórico vilarejo fica a apenas 8 km de Tiradentes, com acesso por uma estrada de terra que proporciona um visual encantador dos contornos da Serra de São José. Essa mesma estrada de terra liga Prados a Tiradentes, passando por Bichinho.
O município mantém um trecho da Estrada Real que conserva características originais. Através da Rua Magalhães Gomes, tem-se acesso a esse trecho. Enfim, Prados é arte. Uma produção muito rica para os músicos, artistas plásticos, turistas, decoradores e lojistas que visitam o Circuito.
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A visita ao povoado de Bichinho foi uma experiência encantadora. Atualmente , Bichinho é um lugar conhecido por todos, porém naquela época era apenas uma rua, com algumas casas de adobe e soleiras de pedra sabão. A civilização ainda não havia chegado àquele povoado e as pessoas olhavam espantadas para os carros que ali chegavam. A lembrança mais forte que tocou o coração de nossa romântica senhorinha foi a visão de uma meninazinha loirinha , abraçada a um radinho de pilha, seu único contato com o mundo lá fora...um mundo do qual só sabia as músicas e notícias trazidas pelo seu aparelhinho...e saltitava ao som da melodia e seus pés descalços pareciam executar passos de balé naquele chão de terra vermelha...a felicidade fazia brilharem os seus olhinhos e o sol se refletia nas douradas mechas de seus cabelos. Uma imagem inesquecível certamente.

Hoje, Bichinho tem o nome citado em revistas, jornais e sites...naquela época era apenas isto...um lugarzinho acolhedor com uma menininha e seu radinho de pilha...e suas casinhas simples onde morava a felicidade.

Por hoje é só, meus amigos. Eu vou mas eu volto!!!




                                            

                                                    Leninha Brandão
                                                      

sexta-feira, junho 23, 2017

Memórias de uma senhorinha

Resende Costa- Sua História e suas tradições
Por João Carlos Resende - Arquivo próprio

A história do município de Resende Costa se inicia no ano de 1749, com a construção de uma capela, aonde atualmente se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, tendo em volta oito casas, pertencentes às primeiras famílias do Arraial, como a dos inconfidentes José de Resende Costa pai e filho e a casa do Padre Toledo.[6]
No ano de 1840, mais precisamente no dia 1º de setembro, foi desmembrada da Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada. Com isso, foi elevada à paróquia, tendo como primeiro pároco o padre resende-costense Joaquim Carlos de Resende Alvim. Além disso, foi elevado a distrito do município de São José del-Rei, hoje Tiradentes, e emancipou-se pela lei estadual nº 556, sancionada pelo governador Bueno Brandão, de 30 de agosto de 1911 com a denominação de Vila de Resende Costa. No dia 2 de junho do ano seguinte, a sua emancipação político-administrativa foi oficializada, tendo como primeiro administrador municipal o presidente da Câmara Francisco Mendes de Resende.
Desde 1923 o município passou a denominar-se simplesmente Resende Costa.[7]Fonte : Wikipédia

terça-feira, junho 20, 2017

Memórias de uma senhorinha

                                                                                                                                                                                                                                                            

Delicadeza / contrastes

E a surpreendente beleza da cidade , o encanto da laje e o poente irresistível os conquistaram imediatamente. Sim, ela não havia exagerado...era uma explosão de cores e de sentimentos, um alternar de emoções e alegres despertares para um mundo novo e completamente diferente de tudo aquilo que já haviam vivido.

Foram para  a casa encontrar a Drinha e contar-lhe as novidades...seriam os próximos moradores  deste rincão escondido nas serras mineiras. Cláudio era médico e havia na cidade uma Santa Casa completamente desfalcada de médicos e André ,um exímio pianista...em São João del Rei , cidade voltada para as artes, um Conservatório onde poderia ministrar aulas de piano.Durante uma semana todas as providências foram tomadas. A Santa Casa não só recebeu o Dr Cláudio de braços abertos, como também ofereceu moradia...um belo bangalô bem no estilo de antigamente. 

Uma casa parecida

A visita ao Conservatório ficaria para a próxima vez.E foi uma correria para começar a mobiliar a nova casa...muitas colchas foram usadas na decoração, muitas plantas na varanda e o restante viria do Rio, onde já possuíam móveis e demais apetrechos que fazem de uma casa um lar.

E nossa amiguinha se esmerando na cozinha (não tinha muita prática, já que na fazenda as serviçais faziam tudo e ela se limitava às comidinhas dos filhos e à arrumação da casa, trabalho que sempre a fascinou). Seu prato preferido era um souflé de batata ou de queijo...mais tarde acrescentou outros ingredientes: palmito, chuchu, abobrinha, cenoura e o que mais houvesse na horta da fazenda. Mas agora não contava com uma horta...suas verduras e legumes vinham do asilo, trazidas por um menininho lourinho de olhinhos espertos e azuis.Seu apelido era Grilo e ela nunca soube seu nome verdadeiro...soube pela administradora do asilo (que também era orfanato), que ele fora deixado ainda bebê aos seus cuidados e a mãe desaparecera neste mundão de Deus e nunca mais dela tiveram notícias. Aos sábados e domingos era sagrada a visita ao Asilo ,motivo de grande alegria dos velhinhos e das crianças.
Na época as crianças possuíam uma ala separada da ala dos idosos.Hoje não sei se ainda há crianças ...

A amiga Tininha era a administradora e cuidava de todos com o mesmo carinho que dispensava ao seu jardim de cravos...belíssimo jardim que a todos encantava.

Mas eu falava das aventuras de nossa amiga na cozinha e tergiversei como de hábito.
Suas habilidades eram diminutas...um arroz de forno , que havia aprendido com a mãe, bifes abafados também da mesma origem e seus souflés, deliciosos e que agradavam sempre.
Eis que um dia, os amigos avisaram que receberiam visitas: duas amigas que moravam na Ilha do Bananal.
Nossa amiguinha resolveu rapidamente o cardápio do jantar: um belíssimo souflé  e uma salada bem colorida.
Enfeitou a casa com os cravos que a querida 
Tininha lhe enviara e preparou sucos de frutas e uma bela mesa com sua toalha de linho mais linda.
E foi com alegria que recebeu as amigas vindas de longe.
Serviu o jantar e ,como sempre acontecia, aguardou os elogios. Que não vieram, infelizmente.A única observação feita foi: 
-A entrada estava ótima! Agora vamos aguardar o prato principal...
Nossa amiga quase desmaiou...acostumara-se a servir apenas o souflé e todos sempre apreciaram.
Sepulcral foi o silêncio que sucedeu o comentário bastante infeliz.Os amigos perderam completamente o ar da graça e só foram salvos pelas palavras da Drinha: 
"-Agora serviremos o prato principal: música, comigo ao violão e vocês cantando"
E assim se encerrou a noite ao som de Bossa Nova, Samba Canção e Boleros.
E muita paz no coração de todos.

E com esta belíssima interpretação , eu me vou.
Mas voltarei, aguardem!!!









                                           Leninha Brandão



quinta-feira, junho 08, 2017

Memórias de uma senhorinha

São  João del Rei

Dotada de uma vasta gama arquitetônica, a qual não se restringe apenas ao Barroco, mesmo na região do Centro Hisrico é possível observar diversas linhas arquitetônicas. 
São João del-Rei é conhecida também por ser uma cidade universitária devido a presença da UFSJ, do IPTAN e IF-Sudeste de MG, além do grande número de repúblicas estudantis espalhadas pela cidade.

E foi este o aspecto desta cidade que mais encantou os nossos amigos...a arquitetura Barroca os seduzia e atraia como o canto de uma sereia...porém teriam que prosseguir na sua viagem ou não atingiriam o seu objetivo.Em um outro dia viriam passear e visitar esta cidade encantadora em todos os sentidos.

De longe avistavam as belas e imponentes igrejas e o casario com suas janelas multicoloridas.

Porém mister se fazia prosseguir  pelo asfalto até a bifurcação que os conduziria à estradinha estreita e esburacada que alcançaria o seu almejado destino...não sem antes passarem por "Coroas" ( Coronel Xavier Chagas),onde uma surpresa os aguardava.Naquele lugar, quase afastado da civilização depararam com uma igrejinha linda,toda em pedra,rodeada por uma bucólica pracinha.

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Infelizmente, estava fechada...
A ansiedade, a vontade de chegar fizeram com que deixassem para outro dia a visita...novamente.
E seguiram subindo ,agora mais calados,deslumbrados com a paisagem e felizes pela proximidade de Resende Costa.
E, enfim, a surpresa para os amigos e a constatação de que ela não exagerara...o belíssimo por do sol que os aguardava era a melhor saudação de boas vindas que poderiam receber.
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Ainda não lhes falei sobre o apartamento que nossa senhorinha havia alugado. E vocês, meus amigos, devem estar a pensar onde ela os acolheria...passei o carro na frente dos bois e agora terei que me redimir e contar como se deu este verdadeiro achado.Enquanto moravam na pensão da Dona Elzi, as nossas amigas comentaram com ela sobre a intenção de fazer morada nesta terra que as havia recebido de braços abertos. E esta logo tratou de conversar com seus amigos e parentes tentando ajudá-las.E não é que conseguiu? Seu primo estava terminando um pequeno prédio e era de seu interesse alugar o segundo andar , visto que o primeiro já estava alugado para um escritório de advocacia ...e foi uma alegre senhorinha  que galgou os dois lances de escada para conhecer aquela que seria a sua casa , o seu cantinho de começar a ser dona de casa , sem empregadas e sem mordomias...e seria o seu aprendizado nesta senda na qual nunca se havia aventurado. E creio que se divertirão muito com sua trapalhadas (teve acertos também, claro)...
Mas estou me alongando demais...não quero que se cansem.
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 Por hoje , é só...amanhã voltarei.
                           
     


Memórias de uma Senhorinha

Memórias de uma Senhorinha E o tempo , este senhor Implacável e do qual não podemos fugir, anunciava o final das férias e o temido moment...

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